quinta-feira, 22 de março de 2012

O único erro


Ultimamente tenho pensado na vida mais do que o habitual, num exercício de lógica e correção, como uma atriz que ensaia a mesma cena repetindo a exaustão para levá-la a perfeição. Embora eu não acredite nela, na perfeição...não que eu não viva a buscá-la...mas não creio nela como um pódio ou o alto de uma torre, montanha ou escada que se possa alcançar!
A perfeição não é o fim de uma linha, segundo meu ponto de vista, é uma caminhada, onde dia após dia vão agregando-se valores, idéias, coisinhas...pequenos e sutis detalhes...
Não sou perfeita e nunca serei! E sinceramente acho que ninguém o é...e quem julga os outros pela perfeição de suas idéias, engana-se, erra! Também acho que jamais pode haver apenas um único erro, e que o erro nunca é isolado, nunca tem endereço próprio num único indivíduo...e é sempre efeito de tantas causas! Não olho para os erros como dores...mas procuro sempre pensar que o caminho da plenitude, da dita "perfeição",obrigatoriamente passa por ele!

Eu erro e tenho errado, desde sempre e seguirei errando para acertar!

Assim como me perco para poder me reencontrar!

Agora quem me diz que não erra, que acha que a culpa do erro está só nos outros e jamais em si...este sim sucumbiu ao erro ...mas ainda assim o isento de culpá-lo para compreendê-lo.
Com a compreensão os erros dissipam-se, corrigem-se, ordenam-se...e pouco a pouco caminha-se para a evolução! Mas nenhuma destas vias, seja a dos erros, a da perfeição ou a da compreensão existem numa via de mão única...todas são vias de mão dupla!
Faça sua aposta, jogue a moeda para o alto, arrisque-se a errar...
sempre haverá 50% de chances de cair cara ou coroa...
Toda moeda tem seus dois lados, e todo erro jamais é único!

Único é o amor e cada ser humano que o vive!

E quando o erro ou o amor se instauram e as coisas são mágicas,
ou ao contrário: nada são do que criamos com nossas humanas expectativas, devemos sempre pensar que é no andar da carruagem que as melancias se acomodam! E falo de acomodar aqui no sentido de acerto e não no de deixar o marasmo cotidiano instaurar-se.
Se os erros surgem e não buscamos acertá-los, estamos errando em cima do errado!
É como amputar a perna por causa da unha encravada do mindinho.
Se tratarmos os nossos erros e os dos outros assim, nunca vamos acertar, o caminho será apenas o da frustração constante...por que ela virá seja mais cedo ou mais tarde! E infinitas vezes! Se formos rígidos em impor nos outros apenas que sejam aquilo que esperamos deles estamos caindo não num 'único erro', mas mergulhando numa tempestade feita num copo d'agua...
Uma andorinha só não faz verão... e um erro só não pode conduzir a decepção!
Jamais pode ser condenável...Não é na fuga da convivência que vamos nos livrar do 'único erro', não é cortando a mão que vamos evitar que tenham ladrões no mundo, ao contrário, é vivendo, arriscando, errando, e acertando que as coisas que imaginamos vão tomando as formas que queremos...Um pintor jamais tem o resultado final de sua tela na primeira pincelada.
E se ele abandona a tela no primeiro traço, achando que errou...que estava demais...ele jamais terá a obra de arte!
Ironicamente na língua portuguesa usamos o termo "não faça arte"para designar aqueles que arriscam-se em fazer algo que para a sociedade normal não é aceita...
E assim histórias belas terminam antes de existirem, como um leitor que fica apenas com a capa, e a leitura das orelhas do livro, ou quem julga o filme pelo trailer, o espetáculo pelo prólogo, a janta pela entrada.
É por abandonar as coisas no primeiro e único erro, sem insistir o mínimo em suas possibilidades, que o mundo sucumbe a desistência, que talentos incríveis lotam repartições públicas, que artistas viram advogados, e bons advogados militares, e potenciais militares açougueiros...e por aí vai!
Eu não acredito nesta desculpa de que as coisas não seguiram no seu caminho por que um "único erro" surgiu e desviou da trajetórias os fantásticos e maravilhosos personagens por que as coisas não eram como imaginávamos!
Os erros são para serem corrigidos! Para assim virarem acertos, realizações!
As coisas que não são como imaginávamos devemos recriá-las para assim transformarem-se em mais do que podíamos supor delas!
Não acreditem jamais que possa existir um único erro que possa por fim ao amor, a uma carreira, a beleza de todo um caminho que descortina-se! Insistam no acerto! Uma criança erra muitas vezes, e cai outras tantas aprendendo a andar, a dar os passos certos que fazem sua vida caminhar ir adiante!
Aceitem o erro! É ele que conduz-nos a estrada infinita rumo a impalpável perfeição!

E se as coisas em algum momento não forem como você imaginar, permita-se aceitá-las e recriá-las, sintonize-as ao seu modo, na sua estação!
Se for inevitável desprenda-se delas como faço eu agora com estas palavras que estavam presas em minha garganta! E siga adiante!
Ainda que seja atroz, isto também é viver! Faça-o com doçura, sutileza e sobretudo sinceridade...para não sofrer e não causar sofrimento! E se amar verdadeiramente...não caia na burrice de desistir no primeiro erro...uma estrada jamais tem uma única curva... Siga adiante e verá as emoções que o caminho pode lhe proporcionar! Sem medo de errar liberte-se dos seus preconceitos, que acabam por limitá-lo, fazendo com que só se aceite aquilo cabe na sua ideia de sonho, na imagem perfeita!!! Cancele os erros como quem deleta um arquivo... e permita-se reescrevê-lo. Como quem deleta uma fotografia! Permita recapturá-la! A vida, as coisas, as pessoas são muito mais do que a imagem que você criou delas! Tenha sempre polidez para lidar com o outro, pois no universo do erro do outro também podem existir sonhos que sua vã sabedoria jamais ousou sonhar...Exercite o perdão, antes da frustração! O amor antes da discórdia! A compreensão antes da desistência!
No céu cabem infinitas estrelas, no viver infinitos erros!
E para acertar, as vezes é preciso deixar o erro passar! Mas se nada disto servir resta o consolo de que a vida não é um torneio de tiro ao alvo e ao final tudo passa... E assim o erro, a dor e a vida também vão passar! E seguiremos a errar para acertar!

Aquele abraço!!!


sexta-feira, 2 de março de 2012

Hóspede & Hospedeiro - REGRA NÚMERO 1


Antes de qualquer coisa...
não esqueça, em casos de hospedagem em casa de terceiros, sejam
parentes, amigos ou desconhecidos...
leve com você a
REGRA NÚMERO I -

Você foi convidado para ficar 1 mês na casa de um ser humano
que no afã de seu entusiasmo,
e possível encantamento,
vacilou,
querendo inconscientemente parecer extremamente educado e gentil ,
e ainda que este humano ser tenha lhe dito:

"Aqui te espero sempre de braços abertos, e podes ficar o tempo que desejares..."

NÃO ACREDITE...
Isto não é a verdade nua e crua...
isto é só uma verdade poética,
um humano vacilo,
a ilusão de ter perto o que vive distante...

é a teoria...
na prática sempre as coisas são diferentes,
sejam nas lições de matemática e física,
na interpretação de um papel
ou ao viver a vida...

A teoria nunca condiz com a prática...

never
mai
jamás

Lembrando que o fato aqui não reside na confiança que devemos ter nos outros,
acreditar nas pessoas não é de todo mal...
ao contrário
é lindo
num mundo decadente de valores
e consumido por atos materiais
acreditar no ser humano
é mais do que uma prova de amor...

pero...

but

ma

maaaaaaaaaaaaas

a pessoa ao dizer isto não pensou jamais que você seria louco o suficiente para hospedar-se na casa dela por
1 mês
por mais de 1 semana,
por sequer 5 dias,
ou 2
a pessoa ao dizer isto
não pensava nem ao menos que você iria de fato até a casa dela
e se ela mora longe demais de você
o caso é mais grave ainda...
ela não acreditava na pureza de sua loucura
na sua alma de viajante
e menos ainda acreditava
que ainda pudessem existir pessoas no mundo que arriscam ir para casa dos outros após um convite casual...

A pessoa sequer pensou como seria ter você dividindo sua rotina a dela por mais de 24 horas...
por isto...
sempre
a regra número 1 para quem vai hospedar-se em casa alheia é a de que
você é uma lombriga...

Sim,
VOCÊ É APENAS UMA LOMBRIGA...
UM VERME...
você é o hóspede...

você vai dar um gosto enorme a esta pessoa
de adocicar-se com todas as doces guloseimas de momentos convividos ao seu lado

são os doces momentos
que certo existirão
enquanto
você

amiga lombriga

estiver ali,
na casa do hospedeiro simpático
querido
amigo
gentil
solidário...

se todos fossemos gentis hospedeiros o mundo seria outro, não sei se melhor, mas seria outro...

Mas passado este momento ...
o doce momento
em que o hospedeiro sacia-se
com tantos doces e carboidratos da doçura momentânea de sua convivência
de sua cultura exótica ou metódica
de viajante
de hóspede quase acidental
o hospedeiro de você,
cara lombriga...

por uma razão vital
vai querer expelir você de alguma forma...

isto não é de todo mal

pense que você já foi um hóspede no ventre de sua mãe
e para você virar gente
ser o que é
crescer
evoluir
ganhar pernas pelo mundo
até o dia de hospedar-se em habitats alheios

ela teve de expelir-lhe para o mundo

e isto passará também com o seu hospedeiro
ele vai querer lhe expelir
seja com alho ou com vermífugo...

Num mecanismo de defesa
você
mais dia menos dia
irá tornar-se
um corpo estranho
que flutua pelo seu cômodo e egoísta habitat...

Não existe nada mais egoísta neste mundo que o habitat de um animal
seja ele uma ameba
um macaco
um cão
ou você
homo sapiens
que agora me lê!

o território
a propriedade
é o que nos divide

somos donos de manias sem fim
e cada casa tem sua mania
cada bairro
cada cidade
cada estado
cada província
cada país
cada ser humano

e a isto chamamos gentilmente de
cultura

e a sua cultura,
mesmo que você tenha nascido e se criado no mesmo bairro do seu hospedeiro
ela é sempre diferente
você tem um código cultural único por suas vivências
assim como tem um código genético único!

e quando você é a lombriga da questão
você não pode achar que é o Rei dos Animais
uma lombriga é sempre hóspede
e sendo assim não pode querer ser uma rainha
a altura do soberano hospedeiro
que nomearei aqui como faminto Rei Leão
que te tem sob o seu teto

(mais faminto ainda depois da verminose)

Não esqueça que você sendo hóspede não pode jamais almejar ser o rei da floresta!!!

Quando somos hóspedes temos obrigatoriamente que dançar segundo a música
ainda que a música
seja:

"ai que eu te pego... te pego ... te pego..."

ou

o
famigerado

"crew, crew, crew, crew, crew, crew..."


E ao dançar ...ainda que o ritmo seja caliente
enlouquecedor
é preciso fazê-lo sempre com cautela...
e doçura...
a doçura das lombrigas...
o jogo de cintura das lombrigas...

afinal você é uma lombriga e não uma solitária tenia solium!
você faz parte deste todo! E ainda que sutilmente deve revindicar o direito de expressar a sua doçura...


O melhor é ser prudente e retirar-se antes que seja necessário,
antes que o hospedeiro precise usar um vermífugo...

retire-se naquele momento em que ele,
o hospedeiro,
sente que seria ótimo
você passar a vida toda ali ao seu lado
com todas as suas manias
com todos os seus defeitos lombrigóides

sejam elas a do banho diário
ou da quantidade exagerada de açúcar no café

retire-se a francesa
ou numa humana despedida
de sorriso desajeitado
abraço desencontrado
pela falta de convivência
de melancias que já acomodaram-se na carruagem

ou

retire-se em grande estilo
com direito
a beijos molhados
sem fim
na estação

Mas
RETIRE-SE
RETIRAR-SE
é crucial !!!


E faça sempre o possível,
mesmo que sejas uma estrela,
para que seu hospedeiro
não perceba
que você
podia ser um verme...
...
assim
ainda que você deixe a descarga correndo
(por descuido ou falta de prática
a hábitos diferentes dos seus)
ainda que você
deixe a calcinha no banheiro
não como um ato de demarcar território
mas por uma questão de sua higiene de educação nos trópicos...
e fique diariamente de pernas para o ar
para exercitar seu corpo
ou meditar...

o hospedeiro
não vai nem sentir...
que a estrela era um verme...

e que vermes e estrelas
são tudo uma só coisa
mas apenas vistos de um ponto diferente...

Ao final se sua estadia
não for nada boa
pense
que hoje você é hóspede
mas amanhã poderá ser hospedeiro...

e assim como existe um dia da caça
e outro do caçador

sempre haverá
um dia em que nos hospedarão
e dias em que hospedaremos

existe o dia do hóspede e o dia do hospedeiro

e é assim que vamos vivendo
evoluindo,
viajando,
hospedando,
e sendo hospedados...

mas a menos que queira ser visto como verme
e não como estrela
não esqueça
que as regras do jogo
podem sim mudar
depois que a bola já rola no gramado..

e para isto nada melhor
que viver
pois é vivendo
que se aprende a jogar

...
deixemos as faltas
e os cartões vermelhos para outra postagem...


e hoje pensemos que somos estrelas...
pois de vermes
e de autoritários hospedeiros leões
o mundo está cheio
e nós viajantes
não estamos isentos de topar com eles
e até mesmo de vez ou outra
sermos um deles...

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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Pseudo estrela de muitos amantes imaginários


Falarei hoje da distância!
Não apenas da distância física,
mas em especial da distância que há no que somos e no que aparentamos ser...
Eu tenho pago mais caro na banquinha da praia, na pipoca, no milho verde, na pamonha... e eu até poderia dizer aqui que é por que sou uma pamonha... uma grande tonta...
Mas fazer o que? Se ao chegar no quisoque da praia, a moça olha para minha cara, vê o meu sorriso brilhante, olha para minha barriga que já vem acoplada ao photoshop de revista masculina e pensa que eu sou rica...Resultado: a distância entre o que sou de fato ( mas que odeio afirmar ou assumir: uma artista descapitalizada) não é notada pela vendedora do quiosque do milho verde da praia...

E assim aquela cara de rica, bem sucedida, feliz, turista internacional...faz saltar aos olhos dos vendedores...e se eu estou no meu dia de pamonha, deixo passar e pago, só para não ter que discutir... Afinal o tal olhar distorcido, o pré- conceito da moça da banca do milho verde que em sua esperteza me enxerga extremamente bem sucedida, não deixa de ser um elogio a minha pessoa, não deixa de ser um pensamento positivo para comigo!


Às vezes, a distância,
para alguns
pode até parece que eu sou uma diva,
quase hollywoodiana
daquelas que passa e que um tapete vermelho abre-se:

luz, câmeras, ação

a diva chegou...
e diante dela...
diante da pseudo star...
todo pedido é uma ordem ...

"Ei você! É você mesmo! Hoje é você que quero como amante! "

Um estalar de dedos e pronto tenho todos ali aos pés:

homens lindos,
altos,
baixos,
loiros,
morenos
de todas as idades...
de todas as nacionalidades
querendo beijar meus pés,
mãos
me desejando
em corpo
alma
e pecado ...

E por onde passo tenho um amante
e todos eles interessantíssimos,
e recebo até flores no camarim
e na porta de minha casa
(que sequer tem um endereço que caiba no google, ou no gps.)
Meu telefone não para de tocar
e não são credores, não!
Minha caixa de mensagens está prestes a explodir...
e não foi a operadora de telefonia que enviou!

Mas ao deixar a raiz do cabelo aparecer,
as cicatrizes nítidas se mostrarem,
as verdades nuas e cruas...
pronto!
Sai o tapete da frente,
e com ele a legião de fãs imaginários concebidos por algum fã longíquo,
que através das lentes de seu estonteante par de olhos me poetisa...me concebendo uma verdadeira Star! Talvez louca, mas star... estrela alucinada e brilhante!

A verdade nua e crua é que lá estou eu diante de mim mesma, só em meu mundinho e sem espectadores...

Cabelos em desalinho,
pele das costas espinhenta,
pela necessidade fisiológica de prazeres humanos,
irritabilidade em grau elevado e...
ao invés do pijama de diva de filme ou de garota propaganda de lingerie,
camiseta velha,
óculos... e olheiras infinitas,
perdida numa noite de insônia...
De amante mesmo, só o café, já frio, para suportar a
longa jornada noite a dentro em frente ao computador
a espera de notícias
de nem sei quem
de nem sei o quê!

Aos meus pés
para lembrar que eu não estou só,
parte da minha matilha
da minha verdadeira legião,
a liga dos cães!

Ao aproximar a câmera,
a realidade,
não sou Beth a feia,
mas com os óculos na face,
lábios secos,
desidratados pelo tempo que estou neste romance desenfreado com meu PC,
há até uma certa dor na lombar
que me faz franzir a testa, e deixa rugas de expressão entre as sobrancelhas...
e assim a diva some...
na verdade
a diva nem existe...
ele nunca existiu, ela também é sonho, aparência, imaginação!

Ela é o ego, meu e dos outros maximizado!
A diva, a estrela...
a super star (para ser mais glamourosa)
...

como eu queria ser ela!

Visceral, louca, linda...sexy... avassaladora!

O silêncio do entardecer é cortado pelo eco das minhas dúvidas
de minhas humanas inseguranças
que nada tem de estelar ou divino...

Na solidão,
as muitas vozes que me falam
os muitos amantes que pensam que tenho
a riqueza material que pensam que possuo

tudo é pseudo...

e minha beleza efêmera... fotogenia exarcebada

sou de uma realidade inacessível
aos mais humanos pensamentos

sou a pseudo felicidade personificada
estampada no cartão postal de nome face

de uma pseudo intelectualidade
de uma pseudo sensualidade
de um pseudo educação européia em terras tupiniquins

pseudo sexy
pseudo bela
pseudo latino americana

pseudo aqui só não é a sonhadora
demais tudo em mim é pseudo

e lá no fundo
no entorno
fora os livros que empilhados espalham-se pela casa
por cima dos móveis

fora meus animais de estimação

tudo é imaginário
virtual
ou quase

amantes imaginários
como o eram também os amigos de uma infância distante

coragem imaginária

intelectualidade imaginária

nada existe

há uma imensa distância na bela que aparento, vez ou outra ser,
para aquela que de fato sou

Não sou a elegante da foto
embora seja mais alta e magra que a grande maioria
de minha e de outras idades

não sou feia como na foto da carteira de identidade
nem séria como na foto do passaporte
ou linda como na foto de meu perfil do facebook

Dos amores que tenho em sonho e imaginação
fica o sonho de juras de amor sem fim
cenas cinematográficas
onde tenho
a correr atrás de mim,
como paparazzi,
os melhores takes
captados
por
steadicam,
skycam...

O que corre inexorável atrás de mim agora,
não são os paparazzi
nem o belo videomaker...

O que corre na velocidade da luz
em minha direção
é o medo de não ser o que aparento ser
de não ser o que acho que sou
e busco ser

O medo de ser apenas o sabor que há nesta distância traiçoeira
que há entre
a gostosa de pernas saradas
e olhos claros
para
a
doce artista, romântica
e sonhadora...


O que move-se
são também os ponteiros de um relógio que já não enxergo
(até porque, relógio de ponteiros é já coisa obsoleta)
o que corre
além do tempo
e do tal relógio biológico
e ideológico
são meus dedos magros
no pequeno teclado do netbook...

A maratona é de meus olhos
que de um lado ao outro da pequena tela
insistem em corrigir palavras
como se a vida
os atos
o amor verdadeiro
almejado
sonhado
com todos os cabíveis desejos
pensados e impensados
também pudessem ser corrigidos...
E corre também
à milhões,
nas veias
o sangue indignado
poético
insistente
e forte.

E assim...
fico aqui
perdida
entre meus sonhos bregas
de filha 'quase' caçula
de família 'quase' do subúrbio
'quase'do centro
'quase'pequeno burguesa
'quase'diferente
'quase'tradicional


&

o desejo
cosmopolita
de que um dia serei
uma artista além do que tenho sido
uma louca de verdade
e me mostrarei como uma estrela de brilho próprio
sem ansiedades ou vacilos.

A vontade de compreeder e ser compreendida!

Muito além desta cara de turista rica
vista pelos vendedores de praia.

Muito mais que a diva
da embalagem do sabonete.

Talvez quase igual
a dama que habita
o pensamento masculino que me desvenda
poeticamente
pela lente de seu olhar ...

Sim, um dia, esta distância
que existe
entre a aparência e a realidade
vai diminuir.
De repente até se dizimar...

E neste dia não precisarei mais
ser enquadrada
numa ou noutra
imagem...
numa ou noutra categoria!


No corpo nu de minha constelação
serei eu
em essência!

Apenas eu,

apaixonada como sempre!!!

Às vezes sonhadora como as princesas das histórias infantis,
e até chatinha como elas,
outras como as fortes mulheres da obra de Brecht,
e até um tanto amarga como elas.

Mas sempre delirante...transbordante...
insaciável na busca de uma efêmera fugaz felicidade!

Por agora
me contento com a realidade
ou pseudo realidade
e visto o título de pseudo estrela
me permito sonhar que tenho todos os amantes do mundo
amantes imaginários
fascinantes...
únicos...
e sobretudo
extremamente sinceros
humanos até em seus desejos,
ausências,
transtornos
e obcessões...

Deuses gregos ou romanos da comtemporaneidade.

Poéticos sempre...
e eu não mais poetisa inspirada
mas no centro de seu pensamento
seu desejo mais forte
sua louca inspiração...
Projeção 3D personificada
de seus mais sonhados e secretos pensamentos...

Sem qualquer distância
física ou emocional
o ser e o parecer uma só coisa
em fusão
sem exitação
sem confusão!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Mudanças

Há cerca de um ano ... entrei num mergulho em devaneios e loucuras sem fim que me fizeraam transformar este blog quase num livro virtual com capítulos que de uma mesma história, ou devaneio, como preferir... agora, passado tempo ...a história segue, mas deixei de publicá-las aqui...se publicar ou esquecer prometo avisar aqui... Era só para constar ... a distância tem seu lado bom decanta certas coisas tornando certas substâncias mais claras...ou chacoalha tudo...Tornando todas as partes uma só coisa...agora volto a escrever aqui no estilo inicial...no estilo de crônica ou ensaio, sei lá... E como o tempo passou e tem passado e seguirá passando ...

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Olhos marejados




Tirei o pó de cada canto da casa, como sempre fora meu costume de pseudo- alérgica, arrumei tudo, e ainda redigi e readeqüei dois projetos e suas planilhas orçamentárias. A noite chegou quente... a ordem que tudo estava fez que eu voltasse a me enxergar...Sim eu havia me perdido no caos de meus devaneios e de minha casa... O ambiente sempre reflete algo interior e vice- versa... Depois do banho aproveitei para tirar também o excesso de sobrancelhas e ao olhar as minhas unhas tive o humano desejo de saber fazê-las. Olhando meus olhos no pequeno espelho que distorcia minha imagem com o aumento, pensei como tendemos a distorcer as coisas na vida cotidiana. Eu não queria maximizar nada, nem distorcer... Meu período era de alinhamento, como o fazia agora com as sobrancelhas... Rezei para que o alinhamento de minha vida fosse tão simples como alinhar as sobrancelhas e dormi.

Tive sonhos com Marco, com Angelo, com Théo e com Amanda, a fadinha libélula. Mais uma que ganhava nome na minha realidade, quase romântica, quase onírica, desesperadora... O que lembro é que estava na porta do prédio de Marco, com minha mochila as costas, e que ouvia vozes vindas lá dentro. Meu medo e minhas constantes dúvidas faziam que eu recuasse. E logo eu já estava correndo. E ao correr, me via na ponte dos trilhos do trem de minha infância. E mesmo temendo a altura, e vendo as águas barrentas que passavam no Rio, lá embaixo, entre os trilhos, eu tinha que atravessar. Quando estava no meio da ponte a água lá embaixo mudava, e ficava azul, cristalina, como se refletisse a cor do céu.
Nas águas eu via o reflexo de duas crianças sentadas na ponte dos trilhos do trem, jogando pedrinhas na água, no azul, que fazia desenhos cada vez mais próximos de meus pés. Eu queria olhar para trás para ver quem eram aquelas crianças, mas tudo que via era o reflexo e suas risadas, e ao ouvir suas risadas percebia, que as crianças eram eu e Marco... Na ponte de nossa infância, num tempo longínquo, quando nossas famílias eram ainda inimigas, e o território de paz de nossos exércitos era naquela ponte. Onde desfolhávamos mal me quer, bem me quer... Eu queria olhar para trás, mas não conseguia, não podia, temia. No reflexo eu via o Marco garotinho estender a mão com a flor amarela... “ Esta eu não vou desfolhar, é sua!” Eu sorria, e dizia "Mas eu não te amo Marco, eu amo é teu amigo." Ele então desfolhava o mal me quer e dizia... “Mentira! Deu bem me quer!”, “Mas eu te quero bem...mas não te amo...” a cada passo que eu dava a água turquesa da ponte dos trilhos do trem...que refletia as duas crianças como se fosse um cartão de apaixonados era mais próxima de meus pés. E a vontade de virar e olhar no fundo dos olhos delas maior ainda. Marco e eu apenas duas crianças... Ele tinha razão...o Marco criança, do reflexo do rio de meu sonho, tinha toda razão, um dia eu o amaria muito...Tanto quanto os eram os mal me queres que ele desfolhava. Quando eu me voltava para enxergar as crianças e dizer para a garotinha dos grandes olhos dizer sim, o telefone tocava, com as coordenadas de onde deveria ir, e o chão azul, cor de tinta, a ponte, os trilhos, o mal me quer bem me quer sumiam... E eu estava de volta a porta do apartamento de Marco, com minha mochila nas costas, mas desta vez sem os gritos de antes...A porta se abria para um corredor onde estava Théo, que para variar segurava minha mão, enquanto a fadinha libélula, ou melhor, Amanda, sua talvez pseudo namoradinha, olhava com olhos volpianos e remexia próximo a face suas assustadoras unhas vermelhas, extremamente bem feitas. “Está tudo calmo agora, estávamos preocupados...” Uma outra porta abria-se para um outro corredor de onde surgia o quase gigante e belo Ângelo, numa pausa de trabalho surgia para me ver naquele lugar que era uma sala de espera, em que eu feliz da vida e ansiosa esperava, não sei bem o que...Ele chegava intenso envolvendo-me com uma voz estonteante de radialista, e me abraçava rolando comigo em amassos de adolescentes pela parede e convencendo-me a beijá-lo... Eu resistia, nem sei por que... e ele falava de volta ao meu ouvido, e me beijava demoradamente, eu sentia sua língua na minha boca a fazer voltas e de volta ao meu ouvido a dizer segredos de liquidificador e de volta a boca a brincar com a minha até que nosso infinito beijo era interrompido pela batida de uma porta que me arrastava quase num sopro novamente para diante da entrada do apartamento de Marco, mas eu já não estava com a mochila nas costas.
Ao abrir a porta ele me olhava, e o que me chamava a atenção, não eram seus lábios de outdoor, mas seus olhos, quase profundos, seus olhos rasos d'água, seus olhos desesperados a me contar que sua vida transformara-se... E nós humanamente nos abraçávamos fortemente, num abraço longo e quase agonizante. Num desejo não corporal como sempre parecera ser, mas numa vontade de encontrar um no outro a compreensão, a paz. Ao olhar novamente para seus olhos eu também tinha os olhos marejados! Despertei! Era madrugada ainda, e é óbvio que eu não conseguira mais dormir.
Chegava a enxergar seus olhos diante de mim, sentir um cheiro de maresia que partia do seu olhar. Algo acontecera!
E eu queria ser apenas uma pessoa rancorosa, e não permitir que ele sequer tivesse a oportunidade de me ter novamente em sua presença, mas eu não era assim e nunca seria... Este era o meu lado santa, Maria, que sempre acolhia até o mais torpe inimigo. Embora ele não fosse meu inimigo tinha causado uma tempestade em minhas emoções, suficientes para nunca mais lhe olhar nos olhos. Mas sempre carregara comigo o princípio de que o erro dos outros não justifica minhas atitudes. Marco viria! Agora eu tinha certeza. Algo estava acontecendo com ele eu tinha certeza. Ele estava angustiado. Aquele sonho representava meu mundo...

Tinha Théo a prender minha mão, com o seu satélite de nome Amanda a voar em sua órbita alienada.
Esperava o abraço de Marco desde sempre,
e desejava loucamente, como nunca, os fantásticos beijos de Ângelo...

Eu tinha tudo isto mas ao final estava ali...deitada só no meio de minha grande cama vazia a cama que sonhara, mas vazia!

Rezei por Marco, Théo e Ângelo. Pedi que Deus protegesse Marco trazendo-o em segurança até a porta de minha casa. Pedi para que eu fosse desatada de Théo. E rezei aos céus que Ângelo de alguma forma me tivesse eu seus pensamentos e que não demorasse o dia de ter os beijos do sonho na realidade.

Pensando nos beijos de Ângelo novamente adormeci e novamente sonhei com seus beijos e novamente fui acordada com o olhar angustiado de Marco...

Ele estava solteiro! Eu tinha certeza. E dentro de algumas horas estaria na porta de minha casa para me revelar tal feito e dizer que eu era sua vida, sua história mais antiga. E eu lhe diria que... O que eu lhe diria??? Ah dúvidas de sempre... ah, perturbações...

O telefone tocou. Coisa rara mas por aqueles dias o telefone tocou muito... Marco me dizendo suas coordenadas e que estava bem... (eu sempre gostara desta preocupação que ele tinha de dizer onde estava, e pedir que eu avisasse que havia chegado bem) e depois...

... duas ligações perdidas de Ângelo... Sim ele havia ligado e o telefone estava dentro da bolsa e eu não havia escutado...

E as ligações de minha Irmã insistindo com as bodas de ouro,
as ligações de Théo querendo contar algo e perguntando se já estavam prontos os projetos.

Minha irmã ligara várias vezes
e depois dela ligou o grande homem da minha vida, meu pai... Ligou para dizer que se eu não quisesse não precisava vir para o espetáculo.

"Que espetáculo pai?"
" O show das bodas de ouro... " e depois disse
“Filha te cuida sempre...”

Era isto, eu precisava cuidar de mim. Mas agora o que eu iria fazer era cuidar dos preparativos para o jantar de Marco, a hospedagem de Marco e das tarefas que Théo me solicitara... Mas ao longo do que restava do dia eu me detive várias vezes a suspirar pela lembrança dos beijos de Ângelo...

Eu não sabia o marco que aquele dia seria em minha vida, e nem ao menos em que pilares transformariam-se dentro de minha história todos aqueles personagens quase fantásticos de meus sonhos... Mas naquele dia algo mudava, havia uma curva de meu destino que ali, entre a segurança da mão de Théo, o mergulho insensato nos olhos marejados de Marco, e o labirinto estonteante da voz e dos beijos de Ângelo... se desenhava...Naquele momento eu estava sendo reescrita...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ventos primaveris


Nos dias seguintes a vida seguiu na medida do possível normal...fora as chuvas constantes e os ventos cortantes tudo andava no seu ritmo e ...como a primavera aproximava-se achei que já estava mais do que em tempo de romper a bolsa daquele útero de alienação que me encontrava...

A ligação virtual começava a tomar seus ares reais, e toda virtualidade saia agora do campo unicamente onírico para ganhar forma na vida cotidiana...

No canto da tela voltara a aparecer os lábios do outdoor e eu ignorava... até ser surpreendida por uma mensagem que dizia assim:

"Estou indo de moto para aí agora..."

ainda que fosse sonho ... você não se atreveria a vir até aqui...

"Duvida???"

"Duvido!!!"

pois bem 800km ... de moto ...
eu não valia todo este sacrificio...

"Chego amanhã a noite ...me espere com uma garrafa de vinho por favor..."

"É sério?! "

...

A voz calara mais uma vez, a pausa que ficava era um mixto de raiva e felicidade...
chamei-o uma, duas, três, quatro vezes...

"É sério mesmo???"

"Sim ... bem sabes que sou um cara sério..."

Que idiotice a única coisa que Marco não era neste mundo era sério...
Sim este era o nome do dono dos lábios do outdoor e assim um infinito de coisas que iam em mim se esclarecia...

"Ok ... vou esperar ...mas sem confiar...
Vou convidar todo mundo...será uma recepção e tanto...isto se de fato ... não for uma brincadeira de mal gosto ..."

Depois que ele sumiu mais uma vez do canto da tela...odiei minha fraqueza de aceitar sua visita... Eu quase tinha enlouqueecido por causa dos delírios que seus lábios e depois por seu sumiço... agora indecorosamente ele vinha com esta visita inusitada...
Mas poxa ...800km ...é chão... e se ele de fato percorrese todo este chão para estar ali na porta da minha casa merecia o mínimo crédito...Ele sempre me dera guarida... Com exceção da última vez que nos falamos e que depois de dizer... "te quero sempre bem"desapareceu...
Mas ele não tinha culpa se eu havia entrado em delírios...
e uma coisa não tinha nada haver com a outra ...


Fiquei de olhos fixos na tela, isto não podia acontecer agora...
Mas se estava acontecendo é por que tinha que ser...
Para evitar a tentação de seu lábios de outdoor decidi chamar todos os amigos possíveis,
fazer uma digna recepção ...

Fui retirada de meu devaneio que era real ...pelo grito de Théo no portão...

"Ei abre aí vai!!!"

Pronto agora tudo se esclarecia...os seres fantásticos de todos os meus encerrados delírios começavam a ganhar nomes e falar textos claros, de humanos...ao invés de enigmas de esfinge, pelo meio virtual...

Abri o portão ... e isto eu também não estava com vontade fazer...

Pedi a ajuda de Théo é óbvio que sem carro eu não poderia sequer organizar um café bem estruturado ... Théo sempre tivera o mágico dom que me faltava:

'a capacidade nata de fazer compras no supermercado'

E sempre achara que isto é uma virtude a ser relevada e pontuada até no mais ignóbil ser!!!

"E que tal um sushi?"
perguntei a Théo...

"Hummmmmmmmm??????? "

Ele seguia sem me escutar...
e era isto que eu sempre odiara nele e seguiria odiando até o fim de meus dias

"Sushi ...para esperar Marco..."

"Sushi???Não sabia que você gostava de sushi...e que sabia fazer sushi... "

Ok dez anos de convivência com uma pessoa não era suficiente para ela saber que eu gostava e sabia preparar sushi...

"É pode ser ..."

Depois de anotar tudo...
Ele me pergunta para que a garrafa de vinho???
Ai ... ai ...ai ...

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2,1...

respira...

segura em 8 tempos...solta em 8 tempos...

inspira de novo

segura em 6 tempos ...solta em 6 tempos...
"vinho combina mais com macarrão... "

segura em 4 tempos...solta em 4 tempos

"eu vou trazer tudo para o macarrão..."

segura e 2 tempos ...solta em 2 tempos...

"tá bom...???me diz o que é que precisa pois depois eu esqueço algo
você vai querer me crucificar..."

segura em 1 tempo...solta em um tempo ....


" É sushi...o que eu vou fazer..."
OK???

"Nhoque é bem melhor..."

"ok , você mais uma vez venceu..."


Inspira em 2 tempos ...segura em 2 tempos ...solta em 2 tempos...


"Não esqueça do queijo ralado por favor..."

"Queijo??? E não vai fazer um arrozinho para acompanhar o nhoque...?"



um eco contido dentro de mim

NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Do lado de fora, docilmente eu respondo:

" Não! ...E não esqueça do beijo..."

"O que hãn...hum...?"

"QUEIJO RALADO...Théo! Macarrão sem queijo é como amor sem beijo..."


"Agora posso falar por que eu vim aqui???"

"Eu sei, pode deixar eu faço...mas não esquece o queijo ...e o vinho tinto seco..."

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me rendi ao nhoque...Thëo tinha razão...e mesmo que não tivesse ... ele teria razão ...


Ao sair olhei a papelada que ele me trouxera...sim eu estava de volta a roda de fogo de trabalhos intermináveis... e ...ah ...não queria pensar em Théo...já ter que administrar todos os meus reclusos pensamentos e de súbito assim permitir que todos que habitavam meus pensamentos ganhassem nomes de uma hora para outra era demais...

ahrg...

Fechei o portão assim que ele saiu e ele como sempre segurou a minha mão por um tempo...
como sempre fizera, e como ainda fazia, até quando não estava perto de mim...como se sua mão tivesse a força e a capacidade de me deter ali imóvel...Sem beijos como sempre fora e como seguiria sendo se ainda fosse! Entrei para dentro de casa incomodada com minha decisão e com a suposta visita do dia seguinte... e com a mão de Théo e com aquele monte de trabalho ... e depois mil telefonemas...
Precisava convidar todo mundo para inusitada visita de Marco, o motoqueiro desvairado que estava a caminho... e se eu não conseguisse convidar mais alguém para vir até o esconderijo de nome casa...? Seríamos sentados a mesa, no dia seguinte...eu , Marco e Théo...Um a prender minha mão , o outro minha atenção com lábios indecorosos...e no meu pensamento...olhos mediterrâneos...

Precisava organizar tudo...
inclusive meus pensamentos...

Hospedar alguém??? Aqui??? Parecia surreal.Era uma realidade inconcebível...Mas realidade...

E para minha frustração ninguém poderia vir...as desculpas:
"Sabe como é, meio de semana..." "E depois, você mora tão longe..." "Vai voltar para cidade quando..." "Decidiu criar galinhas..." "Aí neste esconderijo você não vai encontrar namorado jamais...e depois que namorado vai querer te visitar aí ???" "Mas você não tem medo???"


Seria uma espécie de despedida...
de Marco
e de Théo...
e de mim
e de uma parte de vida que queria esquecer...

O telefone tocou, era minha irmã, lembrando das bodas de ouro...

ah...mais esta ainda...

"Como assim daqui a dois dias???"

Quanto a este problema deixaria para depois...
depois dos ventos primaveris momentâneos...


Uma casa para arrumar...
Uma pilha de projetos para redigir...
Uma série de sonhos para mergulhar...

e e-mails muitos e-mails...

e lá de dentro estava a minha licença poética:

Angelo
o homem dos grande olhos que me seguiam onde quer que eu fosse...

...

sim todos tinham nome

...

mas de momento era só destes três que eu me permitia recordar...

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Mãos a obra!!!

Devaneios cancelados...

Ia respoder a minha irmã...
e depois responder a Angelo...

Mas todos os demais seres que habitavam o perturbado jardim de delícias da minha existência: a irmã de Marco, ou a Branca de Neve? E A abelhinha?
E meu menino? E a índia? E o louco que gritava meu nome?
E a Fadinha libélula?


E ali no meio daquele inusitado movimento que percorria bem mais de 800km em minhas já insanas idéias... minha licença poética teria que esperar...
te licencio!!!

não tinha esperanças ou perpectivas...
logo não podia dar esperanças a ele nem a ninguém

agora não eram os devaneios que me
levavam
mas a vida...

eu não podia nutrir esperanças em ninguém
e sendo assim guardei a mensagem de Angelo numa pasta do meu computador
como quem guarda uma relíquia

respirei profundamente

olhei o céu através da janela
e me pus
mais uma vez a organizar tudo...

e depois mergulhei na papelada
nos projetos...
minha vida se resumia a isto

devaneios e projetos

e seres fantásticos

e ao
final dava sempre a sensação

que tudo
era a mesma coisa

A primavera nem chegara e já trazia seus ventos
transformadoramente perturbadores
magnificamente atordoantes...


E entre flores, nomes, sonhos, papéis...
eu era instigada a reagir...


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Para saber o que virá acompanhe as próximas postagens...

Este devaneio está ligado intimamente ao post anterior:



Link
Que por sua vez faz parte de uma série de devaneios:

1-Peraí Link 2- Atualização

3-Bolsa de mão

4-Grito Suspenso no ar

5-Bolhas de SabãoNegrito Itálico

8- Vasculhando os arquivos de meu íntimo

9- A Busca




Fique a vontade para lê-los na ordem que bem entender!

AQUELE ABRAÇO!!!







domingo, 4 de setembro de 2011

Virá


Despertei ao som de blues, daqueles rasgados e roucos, que misturavam-se ao perturbador vento que insistia em anunciar a chegada de mais uma primavera. A claridade do dia ensolarado e de estonteante céu azul, gritava meu nome através da fresta de luz provinda da fresta da minha janela. Eu não queria levantar! Na penumbra do quarto, o costumeiro gole de água para acordar o corpo por dentro... como se tivesse também a capacidade de lavar, ainda que brevemente, a minha alma. Fiquei olhando tudo que me rodeava com o desejo de liberdade...
Novamente permitira a bagunça fora de mim...e sendo assim a desordem interna era inevitável... Tive uma vontade louca de chorar, nem sei bem porque, mas o vento, e o quarto e tudo me agoniavam e depois... a lembrança da dúvida, da busca, da paisagem no batente da porta.
Dos sonhos que tivera, eu só lembrava nitidamente de três coisas: o carro da Penélope Charmosa, a vista de uma janela de onde eu via uma paisagem montanhosa (com o dedo de Deus imponente a apontar para os céus) e das palavras de meu avô, que embora não aparecesse no sonho tinha me dito:

"O que é teu te virá as mãos."

Tinha ainda a vaga lembrança de que a fadinha libélula estivera dando o ar da graça no meu sonho, mas preferi não lembrar.
E os blues seguiam e o vento também e... em algum lugar estariam também o belo homem dos belos olhos... Queria, como num mecanismo de defesa e paciência, não pensar agora nele. Decidi abrir a janela, para deixar a luz do dia entrar... Inevitável, um apoteótico céu azul me saudava...Me deu ânimo, não vou negar...Eu tinha que me libertar agora eram de outras coisas e não da doce lembrança dele. Tinha sim que aliviar a bagagem da mala de nome vida para seguir em frente. E me libertar tanto de coisas, como de hábitos e atitudes que não cabiam mais na vida que eu almejava levar.

"Reaja, mais uma vez, reaja..."

Sim olhei o céu com a certeza das palavras de meu avô em mente...
Neste instante meu celular chamou, eu acreditava que pedia carga, mas não, havia nele duas mensagens: uma falando de dias quentes e possíveis beijos ao sol, a outra dizendo que eu não esquecesse que eu era o seu melhor pensamento.

Relembrei mais uma vez das palavras de meu avô,
e depois da imagem do Dedo de Deus apontando para o céu,
e das mensagens...

Eu não precisava sair correndo porta fora fora para reencontrá-lo, estava lá, era só olhar para o céu claro!

Deus me ouvia sempre! E não apenas ele...

E sendo assim ,senti que o momento não era o de me jogar ao mar, precisava antes costurar as velas. Libertar-me do pêso que fizera minha nave encalhar ali naquele paradisíaco porto de belas paisagens e que me agoniava noite e dia em sua solidão bucólica. Ter certeza que tudo que está vazio não tarda a encher-se e que nada se pode fazer para mudar o que passou, mas há muito a ser feito para desenhar o futuro que, vai muito além da romântica e singela paisagem contida na moldura do batente da porta...
Lembrei dos lábios do outdoor que disseram que eu não devia adiar... sim ele até tinha sua parcela de razão!
Havia um abismo e eu ia me jogar nele de braços abertos, era só questão de tempo, não adiaria, mas também já não estava mais em tempo de ser imprudente. A paciência é uma qualidade das pessoas sábias, e saber o momento de jogar-se seja num abismo ou numa nova estrada também... De nada adiantava me lançar em meio a tempestade e ficar rodopiando sem ter a seta de meus ideais voltada para o alvo de minhas realizações como fizera da última vez.

Meu recuo era em força!

Meu exercício de segurança, de perseverança.

Domar a fera louca que havia dentro da doce, pacata e romântica personagem que eu era pelo menos aos olhos poéticos de quem me via e lia a distância.
Tinha que me lançar no abismo de meus mais secretos e sonhados desejos, mas na hora certa e decidi que não importava onde eu fosse, levaria comigo sim, o meu coração! Com as cicatrizes inerentes a ele.
Naquela manhã ventosa decidi que ia deixar para trás a sua amargura.
Da primavera queria não só o vento mas também as flores do caminho.
Fui até a outra janela para ver se avistava alguma flor no meu jardim...
Tive que rir, para não chorar convulsivamente... sem flores, grama queimada, uma bagunça só...sem margaridas ou rosas...e os cachorros quietos...vasos com plantas secas...
Porque arrumá-lo se eu já havia definido que partiria?
Simplesmente pela vaidade de acreditar que devia tornar o mundo por onde passo melhor ...
Dois lírios ainda resistiam, sem flores, mas de verde intenso! E no vaso dependurado onde um dia houveram lindas flores, dois pássaros, não azuis, mas amarelos ,cantando...
O assobio deles até me fez esquecer o assobio do vento...
Sim,
o que era meu me viria as mãos,
e porque não acreditar no caminho que me apontava o dedo de Deus...
o céu...
divinamente azul
ou
colorido como minha imaginação...

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Para saber o que virá acompanhe as próximas postagens...

Este devaneio está ligado intimamente ao post anterior:



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Que por sua vez faz parte de uma série de devaneios:

1-Peraí Link 2- Atualização

3-Bolsa de mão

4-Grito Suspenso no ar

5-Bolhas de SabãoNegrito Itálico

8- Vasculhando os arquivos de meu íntimo



Fique a vontade para lê-los na ordem que bem entender!

AQUELE ABRAÇO!!!


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Além do vento,
dos blues rasgados,
de latidos descompassados,
o canto de um casal de passarinhos,
o grito pungente dos queros - queros que são meus vizinhos
a gritar lá fora
o que vai na minha mente,
a lembrar que eu como eles :
quero quero quero quero quero quero quero quero
estavam nos meus ouvidos
enquanto escrevia estas palavras as seguintes canções


Best That You Can Do

Se

Um índio

Samurai


Per la vita che verrà



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A imagem do post é de Renan Faria e foi retirada da internet

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